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Entrevista a Diogo Simões

Diogo Simões publicou o seu primeiro livro, “O bater do Coração” em 2014. Desde então já publicou mais duas obras “Esquecido” e “O que nos magoa”. Apesar dos livros físicos publicou também no wattpad algumas histórias como “P.S. Ficas Comigo?”, “O Caderno de Diogo – Dicas de escrita e publicação editorial com editoras vanity” e “(E não) Era uma vez”. Diogo possui também um blog onde publica regularmente e tem o projeto “Fãs de Sexta” com o intuito de distribuir livros de autores portugueses. No Instagram mantém uma relação de proximidade com os leitores.


1. O que o levou a começar a escrever livros?


Sempre me caracterizei por uma imaginação muito fértil. Na verdade, muitas das vezes dizia que vivia no mundo da lua, não por estar ausente, mas pelas ideias – quase que estapafúrdias -que ia tendo. Os anos foram passando, e em 2009 usei o jogo Sims 3 para me auxiliar na construção de séries que eram ilustradas por cenários jogáveis. Com isto, surgiu a vontade em passar toda esta “experiência” em livros e nasceu o meu primeiro romance: o bater do coração.


2. O que o inspirou a escrever cada um dos seus livros?


O meu primeiro romance foi baseado numa das minhas séries de “maior sucesso” na altura. Quando alinhavei essa ideia com a minha primeira viagem a França, fiquei encantado com os cenários. Aí surgiu a base para o romance, passado entre uma rapariga que tinha tudo, para nada ter no momento seguinte. Com Esquecido foi já muito diferente. Estava numa aula de Psicologia e o tema era a memória. Uma colega minha fez a observação mais sensata: “sem memória, não somos nada!”. Aquilo ficou tanto comigo que não consegui ignorar a insistência da ideia. A história foi posteriormente inspirada no que seria alguém perder quatro anos de memória e ter, como últimas lembranças, episódios de violência doméstica, álcool e drogas.

Com a passagem dos anos, e à medida que me fui formando, a ideia para "O que nos Magoa" surgiu do meu estágio e experiências e acontecimentos verídicos. Olhei para o que era a realidade de alguns jovens que cuidavam dos avós e tinham sido abandonados, assim como a crise de identidade característica da adolescência. É o trabalho que mais me dá orgulho.


3. O que o deixa mais vulnerável enquanto escritor?

O ter que expor o meu pensamento, estas minhas ideias mascaradas de histórias. O saber também que tenho de lidar com Editores e de que, muita coisa, não passa para o leitor. É um desafio.


4. O que é que o sucesso literário significa para si?

Falar em “sucesso literário”, no meu caso, penso que se traduz em saber que as minhas histórias chegam às pessoas. Não a nível físico, de se ter um livro, mas ao espírito de cada um. Que provoco empatia, reflexão e identificação. Tenho tido muito desse feedback e é o que me dá alento para continuar.


5. Como é que a publicação do seu livro influenciou a sua escrita e a sua vida?

O impacto foi enorme: em termos de escrita, com cada livro, aprendo imenso. O meu estilo está em constante evolução, o que se deve também à minha vida. À constante formação e experiência na minha vertente pessoal e profissional.


6. Já alguma vez pensou escrever com um pseudónimo?

A ideia já me surgiu, sim. Pensei até em fazê-lo ligado a um eventual romance erótico, mas a ideia ficou por aí. Num pensamento.


7. Se pudesse ser um personagem dos seus livros qual seria e porquê?

Pergunta difícil, mas penso que seria a melhor amiga da Laura, do meu primeiro romance – o bater do coração. Ela é tão cómica e otimista, que me deu muito gozo criar.


8. Qual o seu livro e autor favorito?

Atendendo ao meu percurso, tenho uma grande adoração pela Colleen Hoover e pelo livro “Isto Acaba Aqui”, da sua autoria. É, para mim, o melhor livro a respeito da violência doméstica. Muito melhor que um livro técnico e que tinha acesso no meu curso.


9. Qual o seu livro favorito enquanto criança?

Quando era criança não gostava de ler, admito. Mas a minha adolescência foi moldada pelos livros da saga Luz e Escuridão. Foi com o Crepúsculo que descobri o amor aos livros e, desde então, o alimento.


10. Que parte do livro removeu durante a edição?

Existia uma revelação que acontecia muito mais cedo na versão original e que, por indicação dos meus leitores-beta, removi. Também se deu o caso de alguns diálogos terem sido retirados por forma a não quebrar a cena. É algo que quando escrevemos não percecionamos, mas que ao ler com atenção ao fim de uns tempos, percebemos que não fazem sentido.


11. Qual a parte do livro que foi mais difícil de escrever?

Em O que nos Magoa, sempre que escrevia a respeito do Daniel e o seu ponto de vista, era assustador. Especialmente nos capítulos finais, onde cheguei mesmo a verter lágrimas ao mergulhar no que é os dias festivos (do pai e da mãe) para quem tem uma família disfuncional.


12. Acreditas no bloqueio criativo?

Quando comecei esta aventura na escrita, acreditava a pés juntos. Agora acredito que não é nada mais que um cansaço mental e só temos de trabalhar em nós: em nos permitir descansar, divertir e inspirar.


13. Qual a parte mais difícil do processo artístico?

O mais aterrador é, sem dúvida, o saber se a história faz sentido. Se será boa e terá impacto no leitor.


14. Costuma ler as críticas que fazem aos seus livros? Como é que isso o influencia?

Gosto muito de ler tudo nas críticas e, se necessário, falar com o leitor e perceber o que quer dizer. Ajuda-me a perceber o que posso melhorar e como.


15. Já pesquisou o seu nome no google?

Sempre que sai um novo livro procuro-me, sim. Não propriamente ao meu nome, mas ao título que publico (risos). Ajuda a perceber onde está referenciado e o trabalho da editora.


16. Tem alguma palavra, frase, ou expressão favorita?

Nunca me esqueço da que J.K. Rowling escreveu para a sua personagem de Harry Potter, Dumbledore:

Words are, in my not-so-humble opinion, our most inexhaustible source of magic. Capable of both inflicting injury, and remedying it.”


17. Como escritor, qual acha que é o seu espírito animal?

Quando via o filme Mamma Mia, dos meus favoritos, uma das personagens – que é escritor -, diz muitas das vezes: “Sou um escritor. Sou um lobo solitário.”. Com isto, acho que sempre me vi como um lobo solitário, que tem a sua matilha de autores, colegas, amigos e familiares na busca de “sustento”, mas depois vagueio sozinho na descoberta do mundo, da aventura. De novas histórias.


18. Alguma dica para os jovens que se querem iniciar neste ramo?

Sejam vocês mesmos. Tentem não se comparar com outros, somos todos diferentes e com valor individual indescritível. Procurem definir o vosso público-alvo, o que pretendem e o que querem. Nesta “lengalenga” toda, não se esqueça do porquê de escreverem e de nunca irem contra vocês mesmos. Somos o nosso pior inimigo.







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